Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida

Estes são os imprescindíveis


Bertold Brecht

domingo, 23 de maio de 2010

O Intolerável

“A banalização da injustiça social”. O título objetivo e a fragmentação da capa com ilustrações de matérias sobre demissões, substituição da mão-de-obra pela tecnologia e ausência de planos para o futuro são as chaves para a imprescindível leitura do livro do psiquiatra e psicanalista, especialista em psicologia do trabalho, Christophe Dejours.
O conceito de banalização está presente nas percepções cotidianas. Acostumamos o olhar para a dor alheia e para as injustiças Resignamo-nos com o próprio sofrimento, certos de que sobrevivemos na realidade possível. No processo de banalização, a culpa e o medo da incompetência e da exclusão social norteiam as atitudes ou as omissões no plano profissional. Os trabalhadores tendem às características relacionadas à deficiência da capacidade de pensar: mentem para os outros e para si próprios; obedecem rigorosamente à disciplina imposta; acomodam-se; caem em estados de decepção e apatia, são dependentes das instruções; precisam das proteções conferidas pelas ordens assinadas pelo comando, e perdem o espírito crítico.


(...) A banalização do
sofrimento, a manipulação da palavra, a submissão dos indivíduos e a deturpação da ética alertam para a necessidade de uma radical transformação nos rumos atuais das políticas sociais para que o homem não banalize o conceito de humanidade.



O medo e a precarização do trabalho - Entrevista com Christoph Dejours

Para o psicanalista francês Christoph Dejours, o medo é mau conselheiro. Ele gera condutas de autodefesa que arruínam as instituições e violam o direito. Mas, segundo o pesquisador, o mais preocupante não é o medo, mas, sim a falta de esperança de que a tendência possa se inverter. “Nós só sabemos transmitir uma única coisa: o valor do dinheiro. Isso é insuficiente, contudo, para constituir a base de uma cultura”, salienta. A entrevista, realizada por e-mail, pode ser conferida na íntegra a seguir.


(...) IHU On-Line - Como os jovens franceses vêm se manifestando na busca de melhorias nas condições de trabalho? Quais suas principais rebeldias nesse sentido?
Christoph Dejours - Por enquanto, os jovens não se batem para transformar as condições e a organização do trabalho. Eles se batem pelo emprego como tal, não pelo conteúdo, ou pelo sentido do trabalho. Há, no entanto, alguns frêmitos desde o início de 2006, e o movimento da primavera foi ocasião de debates, em particular entre os estudantes, sugerindo de uma parte, que alguns entre eles já não crêem mais nas teses absurdas do fim do trabalho, e, de outra parte, manifestam novamente curiosidade pelas ciências do trabalho. É apenas um frêmito, porém, e não existe, atualmente, uma luta organizada dos jovens sobre o tema do trabalho.

O medo aumenta a sujeição do sujeito

O medo do desemprego e a(s) nova(s) organizações de trabalho

Laura Marques Castelhano

é mestranda do Programa de Psicologia Social PUC SP, bolsista CNPQ.

O endereço eletrónico da autora é: lauracastelhano@uol.com.br

RESUMO

O objetivo deste artigo é discutir como o aumento do desemprego altera as relações entre o sujeito e a organização, intensificando o medo no ambiente de trabalho. Demonstra-se como o medo de perder o emprego, torna o trabalhador mais vulnerável e sujeito a formas de dominação e controle, e produz efeitos como o aumento do sofrimento, a neutralização da mobilização colectiva e o individualismo.

Palavras-chave: desemprego, organização, medo, dominação, sofrimento.

leia mais aqui:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822005000100003

(...) A EMERGÊNCIA DA ESTRATÉGIA COLETIVA DO SILÊNCIO, CEGUEIRA E SURDEZ, NO SENTIDO DE "NÃO PERCEBER" O SOFRIMENTO E A INJUSTIÇA INFLIGIDOS A OUTREM

"Quando o medo atinge um nível muito alto e perdura por tempo prolongado, sem que o trabalhador consiga detectar sua fonte, ocorre uma evolução no sistema e há um envolvimento maior, onde o organismo, como um todo, reage manifestando um quadro de angústia, extrema irritabilidade e depressão. A tensão interna aumenta tanto, que o indivíduo necessita manifestar seu descontentamento e descompasso." (SHERAFAT, 2002, p. 13).


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal



Christophe Dejours

Segundo este psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos:
  • a avaliação individual do desempenho,
  • a exigência de “qualidade total” e
  • o outsourcing.
O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Discriminação das mulheres deu em 2009 às empresas um lucro extraordinário!

Eugénio Rosa
Muito brevemente comemora-se o 8 de Março de 2010. É altura apropriada para fazer um balanço
da situação da mulher na economia e na sociedade portuguesa. É este o nosso contributo.

  • O NÍVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE DAS MULHERES ACTIVAS É SUPERIOR À DOS HOMENS
  • NIVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE DAS MULHERES EMPREGADAS É SUPERIOR À DOS HOMENS
  • A NIVEL DE PROFISSÕES MAIS QUALIFICADAS E MAIS BEM PAGAS A MAIORIA DOS LUGARES CONTINUA A SER OCUPADO POR HOMENS
  • QUANTO MAIORES SÃO AS HABILITAÇÕES LITERÁRIAS DA TRABALHADORA MAIOR É A DISCRIMINAÇÃO REMUNERATÓRIA EM PORTUGAL
  • QUANTO MAIOR É A QUALIFICAÇÃO DA TRABALHADORA MAIOR É A DISCRIMINAÇÃO REMUNERATÓRIA QUE ELA ESTÁ SUJEITA EM PORTUGAL PELAS ENTIDADES PATRONAIS
  • EM ABRIL DE 2009, REMUNERAÇÃO MÉDIA DA MULHER EM PORTUGAL CORRESPONDIA APENAS A 76% DA REMUNERAÇÃO MÉDIA DO HOMEM
  • O DESEMPREGO DE LONGA DURAÇÃO ESTÁ A ATINGIR FUNDAMENTALMENTE AS MULHERES

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A difícil mutação dos "modelos" sociais nórdicos


"Historicamente, os modelos nórdicos,
nas suas diferentes variantes nacionais, e,
portanto, os sistemas de relações profissionais,
tiveram por base, em primeiro
lugar, a existência de compromissos de
classe entre empregadores e sindicatos,
concretizados através da assinatura de
acordos de base, nos anos 30, na Suécia,
Noruega e Islândia e, após a Segunda
Guerra Mundial, na Finlândia. Tais compromissos
eram, frequentemente, negociados
em situação de crise e punham
termo a intensos conflitos industriais envolvendo
greves e lock-out. Institucionalizaram,
de forma duradoura, o reconhecimento
do exercício das prerrogativas
patronais e, como contrapartida, o reconhecimento
do exercício de certos direitos
sindicais e da negociação colectiva.(...)”

As “(...) elevadas taxas de
sindicalização são únicas
no mundo, sendo actualmente
superiores a 85 %,
na Islândia, 85% na
Finlândia, 81 % na Suécia
e 57 % na Noruega.”

http://www.cedefop.europa.eu/etv/Upload/Information_resources/Bookshop/134/4_pt_goetschy.pdf

O motor da desigualdade


Um dos elementos que mais contribuem para a desigualdade são os rendimentos do trabalho. Apesar das melhorias registadas desde meados da década de 90, Portugal continua a ter dos mais elevados níveis de desigualdade salarial no contexto da União Europeia.

leia mais...
http://boasociedade.blogspot.com/2010/03/desigualdades-sociais-mantem-se.html
Elísio Estanque